A DECLARAÇÃO DE MADRÍ E QUANTAS REFLEXÕES ELA INSPIRA!
(Digitado em São Paulo, tomando como base a Declaração de Madri, que resultou do Congresso Europeu sobre Deficiência, realizado em 2003 quando foi declarado o Ano Europeu das Pessoas com Deficiência, sobre os direitos de mais de 50 milhões de pessoas com deficiências.)
Há tantos documentos sendo produzidos pelo mundo, pois há sempre uma constante movimentação das associações das próprias pessoas com
deficiências, bem como organizações de famílias de pessoas com deficiências
como as nossas no Brasil. Neles, podemos ver com clareza tantos pontos que
temos de trabalhar em nossos próprios países. De nada adianta lermos esta
ou aquela Declaração e simplesmente a pormos de lado à espera do dia em que a consciência dos governantes realmente desperte para o fato de que pessoas com deficiências não podem ficar esperando que os principais problemas de um país sejam resolvidos para, então, serem lembrados.
A visão que a Declaração de Madri nos passa é de grande valor para todos nós
que trabalhamos na área das deficiências:
a) ANTIGA: Pessoas com deficiência como objeto de caridade.
NOVA: Pessoas com deficiência como detentores de direitos.
b) ANTIGA: Pessoas com deficiência como pacientes.
NOVA: Pessoas com deficiência como cidadãos e consumidores com
autonomia.
c) ANTIGA: Profissionais tomando decisões pelas pessoas com deficiência.
NOVA: Tomada de decisões e assunção de responsabilidades, com
independência, por parte das pessoas com deficiência e suas organizações em assuntos que lhes dizem respeito. d) ANTIGA: Enfoque apenas nas deficiências da pessoa.
NOVA: Promoção de ambientes acessíveis e de apoio e da eliminação de
barreiras, revisão de culturas e de políticas e normas sociais.
e) ANTIGA: Rotulação de pessoas como dependentes ou não-empregáveis.
NOVA: Ênfase nas habilidades e na provisão de medidas efetivas de apoio.
f) ANTIGA: Projetar processos econômicos e sociais para poucos.
NOVA: Projetar um mundo flexível para muitos.
g) ANTIGA: Segregação desnecessária em educação, emprego e outras áreas
NOVA: Inserção de pessoas com deficiência na corrente principal da
sociedade.
h) ANTIGA: Política sobre deficiência como uma questão que afeta apenas os
órgãos especiais. NOVA: Inserção de políticas sobre deficiência como uma responsabilidade geral do governo.
SOCIEDADE INCLUSIVA PARA TODOS
A implementação da nossa visão beneficiará não apenas as pessoas com deficiências, mas também a sociedade como um todo. Uma sociedade que exclui uma parte de seus membros é uma sociedade empobrecida. As ações que melhoram as condições para pessoas com deficiência resultarão em se projetar um mundo flexível para todos. "O que for feito hoje em nome da questão da deficiência terá significado para todos no mundo de amanhã."
Nós, no Brasil, precisamos ter uma noção cada vez mais ampliada, mais
flexível, mais abrangente, das grandes questões que afetam as pessoas com
deficiências; em nosso caso, especialmente a deficiência intelectual/mental,
porque é a que causa mais problemas, objeções, dificuldades, mas mesmo assim tem de ser encarada porque um mundo inclusivo é aquele em que todo mundo tem o seu lugar ao sol e tem sua dignidade humana preservada.
É nossa impressão de que todos temos de nos unir. Todos que lutamos por pessoas com deficiências de qualquer tipo, sem partidarismos, sem noções de radicalismo exagerado. Nossas famílias, estejam onde estiverem, possuem os mesmos desafios pela frente e devemos ter uma visão ampla em que não haja lugar para excessos de nenhum tipo, nem pró nem a favor de determinadas posições, afinal, todo ser humano é único e indivisível e como tal deve ter suas opiniões respeitadas. debatidas talvez, mas com o respeito a que todos, indistintamente, temos direito.
Digitado em São Paulo por Maria Amélia Vampré Xavier, Rebraf-SP, Carpe Diem-SP, Sorri Brasil-SP, Fenapaes, Brasília, Inclusion InterAmericana e
Inclusion International em 24 de setembro, 2005, reenviado em 25 de março,
volta
|