AGAPE – do latim - 'amor, amizade, caridade, vínculo que liga duas almas que se compreendem.
- do grego – ágape,és - amor, afeição', está no âmbito do amor espiritual, amor puro, desinteressado, sem cobrança.
Este âmbito diz respeito à relação de amor que não chega ao corpo físico, e pode ser vivenciada numa relação de amizade e confiança; numa boa conversa, no cultivo da admiração por algum aspecto da arte - música, pintura, ou apreciação da natureza.
EROS – do grego, érós, érótos 'amor, paixão, desejo ardente', amor erótico , está no âmbito da alma, ligado ao romantismo. Este é o âmbito do meio, entre o espírito e o corpo, está ligado aos sentimentos e aos órgãos dos sentidos. Nele se vive o flerte, o encontro de olhares, as sutilezas, a troca de sorrisos, a aproximação e o distanciamento.
SEXUS – do latim. sexus,us 'sexo'; o âmbito físico, da sexualidade.
Para viver a sexualidade, seja o ato sexual, a masturbação ou a bolinação, precisa-se do corpo físico e suas secreções e da libido. Quando se pratica o prazer sexual, chega-se à real percepção do próprio corpo, o que às vezes provoca medo. Por isso, é muito importante conhecer os limites do próprio corpo. Existem pessoas que têm uma híper sensibilidade e não aguentam uma aproximação física. É muito importante reconhecer os próprios limites e saber respeitar os limites do outro.
Neste âmbito também pode existir a experiência positiva do prazer até o ápice – o orgasmo; ou a experiência negativa, por meio do abuso sexual.
Importante atentar para o fato de que alguns medicamentos e substâncias provocam a diminuição da libido.
Uma relação amorosa saudável e integrada dá-se quando os parceiros transitam pelos três âmbitos. Claro que, em determinados momentos, um ou dois podem prevalecer.
No trabalho com pessoas com deficiência que envolve este tema é muito importante abordar os três âmbitos:
AGAPE: no âmbito do espírito, por exemplo, levá-los a identificar as características de cada um como mulher, como homem, e individualmente.
Ajudá-los a encontrar sua própria identidade, por exemplo ensinando-os a vestir-se, a combinar as cores das roupas, pentear-se, maquiar-se, a manifestar seu próprio estilo e gosto.
EROS: no âmbito da alma, conduzi-los para a percepção e a manifestação de seus próprios sentimentos por meio de perguntas, que podem ser: como você se sente hoje? Você gosta da roupa que está vestindo?
Trabalhar as relações sociais por meio de representações teatrais (ex. como se aproximar de uma pessoa, como pedir alguém em namoro...)
SEXUS: no âmbito físico, tratar da Educação Sexual, instruir ou reforçar a questão da higiene pessoal, instruir sobre métodos anticoncepcionais e orientar e conscientizar sobre o limite do próprio corpo, como prevenção ao abuso sexual.
Chamar atenção para o “exercício de negociação”, começando no nível social, por exemplo, aprender a ceder às vontades de um amigo ou companheiro ao escolher uma música para ouvir, ou um filme para assistir. E no âmbito da relação amorosa e sexual, aprender a não ceder a propostas indesejadas – violência ou masoquismo.
É importante ressaltar que a sexualidade na pessoa com deficiência se desenvolve de forma igual à das pessoas comuns. Segundo Brigitta, não existe sexualidade “precoce” ou “tardia”, existem, sim, seres humanos que se desenvolvem precoce ou tardiamente. Seria um prejulgamento dizer que algumas pessoas com deficiência têm um “instinto exacerbado”. Pessoas comuns também chamam atenção em seu comportamento. No primeiro caso, faz-se necessário um acompanhamento para dar suporte a comportamentos inadequados.
Os docentes apresentaram suas experiências com acompanhamento de casais em moradias independentes, namoros, casamentos e separação, e até maternidade.
Através das experiências compartilhadas com Brigitta e Wolfgang: “abriu-se uma janela” , usando as palavras de uma mãe , para olharmos para os nossos atendidos que necessitam de um acompanhamento e um incentivo para terem a oportunidade do ENCONTRO, naturalmente como qualquer SER HUMANO!
Perguntas feitas pelos jovens aos docentes:
1: A relação sexual é importante para uma vida saudável?
Resposta: Sim, claro, mas desde que a pessoa tenha sido preparada e orientada para tal.
2: Um casal de pessoas com deficiência pode ter filhos normais?
Resposta: ainda não existe estatística ou dados que comprovem este assunto.
Muitas outras questões foram colocadas, o que nos conduz à grande tarefa de trazer luz a este tema tão inerente à natureza humana e ao mesmo tempo tão relegado por todos nós.
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Compilação feita por:
Lourdes Steinhauser e Paula Cardoso Mourão
Proposta para a continuação deste trabalho:
No 1º Semestre de 2011 deverá acontecer uma formação para terapeutas em “Acompanhamento de Desenvolvimento Pessoal e Relações Amorosas de Pessoas com Deficiência”.
Próximos passos:
* Será dado início a um grupo de estudos e preparação para a formação ainda em 2010.
* Este grupo deverá ser composto por terapeutas formados em Terapia Social Antroposófica e que devem ter no mínimo 3 anos de experiência no trabalho com pessoas com deficiência.
* O grupo será coordenado por Lourdes Steinhauser.
* Datas, horários e local para o 2º semestre serão divulgados.
* Se você tem interesse, entre em contato pelo
e-mail secretaria@pedagogiacurativa.org.br .