Educação Terapêutica (Pedagogia Curativa) ou Terapia Social?

Termo criado por Rudolf Steiner, idealizador da Antroposofia, e utilizado até hoje em vários países, a palavra “Heilpädagogik” foi traduzida pela primeira vez para o português por uma médica na década de 1970 como “Pedagogia Terapêutica”. Algum tempo depois, surgiu a tradução literal do alemão “Pedagogia Curativa”, que permaneceu e é comumente utilizada até hoje para se designar o trabalho desenvolvido com pessoas com deficiência em geral, sob orientação antroposófica.

Entenda-se: Rudolf Steiner referia especificamente à Pedagogia Curativa vinculada ao trabalho realizado com crianças em fase infantil/escolar, e Terapia Social para jovens e adultos, uma vez que cada ser humano depois da maioridade deve promover/cultivar/buscar seu próprio autodesenvolvimento, mesmo que necessite de apoio e acompanhamento terapêutico e social. 

Porém, as palavras “Pedagogia” e “Curativa” permitem um questionamento quanto à sua validade semântica do nome em Português.

Durante as Conferências Mundiais anuais de Pedagogia Curativa e Terapia Social na Europa, esta discussão fez parte da pauta por várias vezes, visto que em alguns países também havia a mesma necessidade de adequação e alguns acabaram adotando novas terminologias, como por exemplo a Suíça: Pedagogia Social ou a Argentina: Educação Especial.

Em 2007, após tomar consciência do parecer de um órgão regulador de práticas terapêuticas no Brasil questionando o nome desta prática – e com argumentos plausíveis – a Federação do Brasil decidiu enfim realizar um trabalho conjunto de reflexões, pesquisas e consultas sobre a necessidade de mudança para adequação e atualização da nomenclatura desta profissão segundo a língua portuguesa e as leis brasileiras. Manteve o assunto em pauta de dezembro de 2007 a dezembro de 2008, até sua conclusão, o que exigiu muita consciência, ponderação e apoio da comunidade.

Médicos envolvidos com este movimento e que muito contribuem para o desenvolvimento das pessoas atendidas pelas instituições antroposóficas e alguns outros profissionais também foram consultados, para que pudesse haver uma unidade de pensamento e se chegar a uma boa conclusão e escolha para uma nova nomenclatura.

Era fundamental que o novo nome mantivesse em si a alma, a essência da visão antroposófica sobre o ser humano e sua abordagem com a pessoa com distúrbios em seu desenvolvimento.

Abaixo, algumas considerações:

1) Segundo o MEC (Ministério de Educação e Cultura) a palavra Pedagogia refere-se à Educação de pessoas e segue uma proposta e grade curricular oficialmente reconhecidas, o que não é o caso da Pedagogia Curativa, que possui uma proposta curricular baseada na Pedagogia Waldorf, direcionada a atendimentos “clínica/dia” com trabalho terapêutico e extra escolar e não a escola especial oficializada.

2) a palavra “curativa”, “promete” algo que provavelmente não se cumprirá, comprometendo, sim, a atuação dos profissionais, inclusive criminalmente.

3) Estamos vivendo na época em que a Inclusão Social tornou-se uma meta; em que toda a gama de possibilidades deve ser explorada para que todos os seres humanos tenham vez e voz dentro da Sociedade em geral. “Especiais” são considerados todos os seres humanos, seja por suas qualidades positivas, seja pelas dificuldades ou mesmo pela exclusividade como ser! O termo “especial”, como “Educação Especial”, é empregado hoje em dia para definir as adequações ou recursos extras necessários e utilizados na Educação Regular para que toda criança com deficiência possa usufruir de seu direito e estar inserida em ambiente comum escolar e receber apoio/suporte educacional ou terapêutico extra em instituições especializadas, caso haja necessidade.

Ao final do trabalho, o nome escolhido por consenso foi: Educação Terapêutica e Terapia Social.

Respectivamente, os profissionais passam a ser denominados “educador terapeuta” e “terapeuta social”, este último mantém-se como antes.

Porque?  A terminologia “educador” permite uma abrangência maior para profissionais formados em outros cursos distintos de “Pedagogia” e que decidam seguir a “Pedagogia Curativa” Antroposófica como caminho de vida profissional.

E a palavra “terapeuta” abrange outros setores, inclusive o social.

E “Terapêutica” diz respeito a todos os recursos e metodologias utilizadas num atendimento e não o profissional em si.

A existência e decisão de permanência dos dois nomes, então, Educação Terapêutica e Terapia Social são necessárias para que se possa continuar distinguindo as duas fases de vida do ser humano dentro desta proposta antroposófica: fase infantil/escolar e fase adulta.

Outros nomes propostos e estudados pelo grupo :

Terapia Educacional e Social 

Educação Terapêutica e Social – argumento: a Educação Social implicaria a educação de toda a Sociedade, o que dista do foco original, além de ser muito amplo. 

Educação-Terapia

Terapia sócio-educacional

Terapia-Educação

É importante mencionar que o Conselho Internacional de Pedagogia Curativa, órgão mediador internacional desta área, ligado à Seção Médica do Goetheanum, Suíça, após grande reflexão acaba de mudar sua denominação em outubro de 2018 para Conselho Antroposófico para o Desenvolvimento Social Inclusivo.

A Federação

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